quinta-feira, 5 de julho de 2007

Leitores adormecidos no gueto

Fala-se do baixo índice de leitura do brasileiro e muito tem feito para aumentar esse índice (media de 1,8 livro por ano), vejo o interesse do governo federal que criou o PNLL (plano nacional do livro e leitura), instituições pessoas e ONGs, que trabalham em prol da difusão do hábito da leitura.
Não entendo por que muitos profissionais do meio editorial não abraçam a causa, visando que o crescimento do índice de leitura e a formação de novos leitores, manterão cadeia editorial nos próximos anos.
Existe uma classe excluída pela sociedade, tanto economicamente, socialmente, culturalmente. O povo dos guetos brasileiro.
Muitos desses leitores adormecidos, que gostam de ler e não tem o acesso ao livro de qualidade, devido às limitações financeiras.
A maioria da população brasileira vive no gueto, sem acesso ao saneamento básico, educação, profissionalização e acesso à cultura.
Por que não há o interesse de algumas pessoas da classe editorial em difundir o hábito da leitura nessas comunidades? Por que lá não tem leitores consumistas ávidos?!
Penso no futuro dessas pessoas, de condições iguais de estudos e de desenvolvimento intelectual e profissional, em um espaço de tempo tornará um profissional e poderá alimentar a cadeira editorial e cultural.
Imagino no futuro de igualdade e por isso é preciso investir no futuro leitor desses guetos, que estão adormecidos.
É preciso investir na criação desses leitores em potencial, será importante para todos, para o nosso país, para essas pessoas, que terão o direito de questionar, de ter informações, entretenimento e o direito de igualdade.
Será importante para o mercado editorial, que investirá em um novo tipo de leitor, com necessidades especiais e de novos gêneros.
Agora imagine: uma criança de oito anos que é apresentada à leitura, toma gosto pelos estudos, aos 14 lerá que ler livros adotados no ensino fundamental; lerá livros no ensino médio; terá que consumir livros universitários na faculdade.
Agora vá mais além: imagine essa pessoa formada, consumindo livros, pai ou mãe, lendo na presença dos filhos.
Não sinto que seja utopia. É uma realidade que não é testada. Acredito na mudança da mentalidade das autoridades do mercado editorial brasileiro, se almejam aumentar o hábito da leitura, comece pelas comunidades de baixa renda, lá tem muitos leitores adormecidos e com potencial.


Otávio Jr
02-06-2007

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